14/09/2008 19:06
PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS ROUPAS...
Pronto, estou de volta a SP (e bem, Lucas Tosta!). Fiz aquele post falando da dificuldade de conseguir convites para os desfiles, mandei ver nos PraTV e nunca mais escrevi nada por aqui... rs. Não, eu não passei a temporada na rua só porque as de Nova York são incríveis. Fui a muitos desfiles também. De tudo o que vi por lá, o que mais gostei:
Da nova geração de nomes orientais da moda americana, que inclui Derek Lam, Thakoon, Doo-Ri, Alexander Wang, Peter Som, Richard Chai e Phillip Lim (leia excelente matéria de Suzy Menkes sobre eles), assisti aos desfiles dos três últimos e gostei muito do que vi. Peter Som e Phillip Lim são filho de chineses e cresceram na Califórnia. Som se formou na Parsons, em Nova York, e é diretor de criação da Bill Blass. Lim é diretor da 3.1 Phillip Lim, que tem loja no SoHo. Richard Chai é de família coreana e trabalhou com Marc Jacobs antes de abrir sua marca (tem PraTV no backstage com ele pós-desfile! Aguardem!).
Peter Som, Phillip Lim e Richard Chai: o oriente em ação
Os três têm em comum a delicadeza de suas criações. São peças femininas na medida certa. Nem românticas demais, nem fortes de menos. Eles vestem suas mulheres com roupas de verdade e deixam a gente morrendo de vontade de comprar tudo já (aprenderam isso com a cultura de moda americana, of course). Quer ver?
O verão de Peter Som tem perfume safári. Mas isso não significa uma enxurrada de cáquis e utilitários na passarela. Na busca dessa tal nova feminilidade, o estilista brinca com vestidos de lamé (tem muuuito lamé nesta estação) com cintos pesados, detalhes de miçangas em golas de delicadas blusinhas, opõe sandálias pesadas e tecidos esvoaçantes (também tendência por aqui). Adoro o look com macaquinho-corset e paletó de camurça lavada, puro desejo de moda.
Phillip Lim buscou inspiração nos uniformes dos toureiros para o verão 2009 de sua 3.1. Quantos estilistas já devem ter olhado para este mesmo universo em busca de inspiração? Milhares. Nem por isso Lim cai no óbvio. Não fosse por uns bolerinhos aqui, babados (tendência no Brasil e, agora, no mundo) acolá, não dava para dizer que suas referências eram aquelas. É linda a cartela que mistura tons apagados com metalizados em ótimas opções para a noite e deixa os looks em total-pastel para fazerem bonito durante o dia que tal um terno com pantacourt e camisa de smoking, tudo rosa, no lugar de um tailleur pretinho e sem graça?
Por último, o fofíssimo Richard Chai, que entrevistei depois do desfile, me contou que gosta muito de trabalhar os contrastes em suas coleções. Para o verão, eles aparecem na cartela (que começa leve, em cru e off-white e termina com roxos, verde-musgo e preto), na escolha dos tecidos (seda com linho, gazar com jacquard) e também das sandálias (desenvolvidas por Alexandre Birman), que subiam pelas canelas e davam pegada mais forte aos looks esvoaçantes.
Engraçado como não dá para identificar, de imediato, nenhuma clara orientalidade em suas coleções. Sinal dos tempos.
enviada por Maria Prata
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