03/07/2008 15:13

ALTA (MÉDIA) COSTURA

Desfiles de alta-costura de inverno 2008-2009 rolando em Paris. Uma amiga que acaba de chegar de lá comentou que estava decepcionada com alguns deles. “Achei que ia ver um show. Mas parecia prêt-à-porter!”

Vendo as apresentações aqui da primeira fila do meu computador (salve style.com!), acho que vale explicar um pouco esse momento “haute-couture, mas nem tanto”, que tem dominado as passarelas. Primeiro: é preciso entender que o que faz uma roupa ser classificada como alta costura é a técnica utilizada para confeccioná-la, e não o tamanho da cauda do vestido, a quantidade de paetês no busto ou o gigantismo da gola, como muita gente acha (não acredite, portanto, quando ouvir por aí que “fulaninho faz vestidos que são 'tipo' alta-costura”). Em Paris existem ateliês especializadíííssimos nessas técnicas - cada um focado em uma área específica. A Maison Lemarié, por exemplo, só trabalha com plumas. A Maison Lesage é especialista em bordados. A Maison Massaro faz sapatos inesquecíveis (já calçou de condessa Bismark a Elisabeth Taylor). Na Vogue de maio tem uma matéria bem legal sobre isso, explicando que, com a alta-costura em baixa (são puquíssimas as grifes que ainda fazem 'the real couture' hoje), os centenários ateliês estavam quase fehchando. Daí que a Chanel foi lá e comprou sete deles, para poder continuar usando os serviços e evitar que eles morressem. Muito bom.

Voltando à decepção da amiga: as roupas de alta costura estão, mesmo, a cada estação, mais próximas (esteticamente) do prêt-à-porter. São mais simples, com menos pirações como antigamente. Quer dizer, quase. O que as principais grifes têm feito é apostar em uma parte bem “ready-to-wear” nos desfiles, com peças mais próximas da vida real (na Givenchy tem até jaqueta de náilon tipo doudoune!), e deixando os supervestidos para o final. Mesmo assim, eles são muito mais tímidos do que já foram um dia. Mas, atenção: “peças próximas da vida real”, lembrem, só esteticamente. Se você pegar na mão, ver a costura, o acabamento, o forro, o detalhe do detalhe, vai entender que de vida real elas não têm nada! Dito isso, vamos às coleções, sempre divididas entre “couture-à-porter” e couture de fato.


Adoro, cada vez mais, o trabalho de Ricardo Tisci para Givenchy (tá, já disse isso. Mas insisto). Acho que prefiro a alta-costura que as coleções prêt-à-porter, até. Ele acerta a mão.


No verão ele apostou numa imagem delicada, meio bailarina, e agora me aparece com essa mulher forte, meio safári (apesar de dizer que se inspirou numa vigem que quer fazer ao Peru). Atenção às proporções, perfeitas (olha como ele equilibra o volume estranho da parte de cima com as botonas embaixo. Mestre). No final, franjas, plumas e rendas para os red carpets.


Na Chanel, o mix entre as duas coutures fica evidente - tanto de um lado quanto do outro. O simples é tão simples que, se marcar, vamos ver Chanel Couture na Topshop (eu bem vejo o look lilás nas araras, numa lãzinha barata! E o casaco preto do canto? Podia ser da Gap!....Rs)


Em compensação, olha os looks do final. E da-lhe bordados, aplicações, detalhes. Tem até a tradicional noiva para fechar a apresentação.


Na primeira coleção couture de Alessandra Facchinetti para a Valentino, a estilista mostrou um trabalho impecável de alfaiataria no início do desfile. Adoro o conjunto branco da esquerda. Branco e dourado, aliás, foi tendência nas passarelas nacionais.


Nos looks finais, os bordados deram o tom. Incrível o vestido-sino branco, com saia transparente por baixo (olho nesses volumes e sobreposições, que têm aparecido bastante)


Por último, o show (literalmente) de John Galliano para a Dior. Que, neste novo momento, acaba sendo bem passado - suas megaproduções já não fazem tanto sentido no planeta Alta Costura. Até o seu “menos” é MUITO mais que todos os outros.


Nem preciso, então, comentar o seu “mais”. Maximegaultraplus para o momento.


enviada por Maria Prata






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